sábado, 18 de junho de 2016

O Voto de compromisso e o voto de cabresto

.Há algum tempo venho perguntando a amigos em vários segmentos, nos bastidores, no trabalho e nos encontros ocasionais, quando o assunto é política e como pretendem votar. Nas conversas amigas, ainda me surpreendo ao ouvir de alguns desses amigos, quanto ao seu posicionamento político para as eleições municipais desse ano de 2016. Ouço a resposta: “Rapaz, eu tenho compromisso do meu voto com ‘fulano’, porque ele me arrumou emprego... (ou emprego para familiar... ou conseguiu assistência na saúde... etc.)”.
O fato nesse tipo de resposta, não se encontra ‘porque ainda vivemos num sistema político assistencialista’, mas porque tenho ouvido essa resposta de pessoas com considerável cultura acadêmica e, mesmo dentro das faculdades, alguns pós-graduados e que vejo não depender de função pública, pois têm competência no que fazem. Afinal, essas pessoas, certamente, não consideram que se enquadram no chamado “VOTO DE CABRESTO”.
O “voto de cabresto” é aquele tipo de voto atrelado ao eleitor que acha que “deve um favor” ao político/candidato que o ajudou. Em respeito a esse tipo de eleitor vou considerar que a sua dívida será paga com o VOTO. Logo, após depositar seu voto, caberá ao candidato cumprir uma segunda parte de um possível acordo ou não (caso já tenha pago) e, assim, estaria livre. Poderia então decidir seguir seu entendimento político sem ser incomodado pela sombra do velho favor? Embora qualquer dessas vantagens seja considerada um crime eleitoral, é uma prática tão comum, que no inconsciente coletivo e nos costumes de nossa sociedade é uma atitude normal no meio político-eleitoral.
Como eu vejo os dois casos? Simples. São a mesma coisa, apenas mudando de nome. VOTO DE COMPROMISSO ou VOTO DE CABRESTO tem a mesma causa-efeito: a DÍVIDA ou Favor ETERNO do eleitor para com seu candidato. E o que isso causa? A continuidade do político sem propostas que atendam aos anseios sociais, e que só busca se eleger para se favorecer ou dividir os louros com um seleto grupo de “chegados”, além de impedir a renovação política. Salientando que a mantença dessa metodologia política sentencia o eleitor favorecido a questionar sua capacidade de escolha e suas competências. Evidente que ficam fora desse conceito, os assessores políticos e aqueles eleitores que confiam e acreditam no “bom trabalho” do seu candidato.
Assim, diante de tudo que temos assistido na política brasileira, não é de se admirar a permanência de nomes de políticos que parecem se perpetuar em seus cargos, como se nada pudesse diminuir o seu poder. Enquanto milhões de eleitores acharem que contraíram algum tipo de “DÍVIDA ETERNA” com os candidatos que um dia lhes fizeram um favor pessoal, ainda teremos esses tipos que usam do poder econômico e da sua influência junto ao poder público para se manterem em seus pedestais e não contribuírem para o bem da municipalidade



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