.Há algum tempo venho perguntando a amigos em vários
segmentos, nos bastidores, no trabalho e nos encontros ocasionais, quando o
assunto é política e como pretendem votar. Nas conversas amigas, ainda me
surpreendo ao ouvir de alguns desses amigos, quanto ao seu posicionamento
político para as eleições municipais desse ano de 2016. Ouço a resposta: “Rapaz,
eu tenho compromisso do meu voto com ‘fulano’, porque ele me arrumou emprego...
(ou emprego para familiar... ou conseguiu assistência na saúde... etc.)”.
O fato nesse tipo de resposta, não se encontra ‘porque ainda
vivemos num sistema político assistencialista’, mas porque tenho ouvido essa
resposta de pessoas com considerável cultura acadêmica e, mesmo dentro das
faculdades, alguns pós-graduados e que vejo não depender de função pública,
pois têm competência no que fazem. Afinal, essas pessoas, certamente, não
consideram que se enquadram no chamado “VOTO DE CABRESTO”.
O “voto de cabresto” é aquele tipo de voto atrelado ao
eleitor que acha que “deve um favor” ao político/candidato que o ajudou. Em
respeito a esse tipo de eleitor vou considerar que a sua dívida será paga com o
VOTO. Logo, após depositar seu voto, caberá ao candidato cumprir uma segunda
parte de um possível acordo ou não (caso já tenha pago) e, assim, estaria
livre. Poderia então decidir seguir seu entendimento político sem ser incomodado
pela sombra do velho favor? Embora qualquer dessas vantagens seja considerada
um crime eleitoral, é uma prática tão comum, que no inconsciente coletivo e nos
costumes de nossa sociedade é uma atitude normal no meio político-eleitoral.
Como eu vejo os dois casos? Simples. São a mesma coisa,
apenas mudando de nome. VOTO DE COMPROMISSO ou VOTO DE CABRESTO tem a mesma
causa-efeito: a DÍVIDA ou Favor ETERNO do eleitor para com seu candidato. E o
que isso causa? A continuidade do político sem propostas que atendam aos
anseios sociais, e que só busca se eleger para se favorecer ou dividir os
louros com um seleto grupo de “chegados”, além de impedir a renovação política.
Salientando que a mantença dessa metodologia política sentencia o eleitor
favorecido a questionar sua capacidade de escolha e suas competências. Evidente
que ficam fora desse conceito, os assessores políticos e aqueles eleitores que
confiam e acreditam no “bom trabalho” do seu candidato.
Assim, diante de tudo que temos assistido na política brasileira,
não é de se admirar a permanência de nomes de políticos que parecem se
perpetuar em seus cargos, como se nada pudesse diminuir o seu poder. Enquanto
milhões de eleitores acharem que contraíram algum tipo de “DÍVIDA ETERNA” com
os candidatos que um dia lhes fizeram um favor pessoal, ainda teremos esses
tipos que usam do poder econômico e da sua influência junto ao poder público
para se manterem em seus pedestais e não contribuírem para o bem da
municipalidade

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